A morte de uma mulher de 26 anos, mãe solo de uma criança autista não verbal de seis anos, após um quadro de exaustão física e emocional, provocou comoção e trouxe à tona a fragilidade da rede de apoio às famílias que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil.
Segundo relatos compartilhados nas redes sociais, a mulher vivia uma rotina de cuidados intensivos sem suporte institucional, social ou psicológico adequados — uma realidade que afeta muitas famílias em todo o país.
Os mais recentes dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que cerca de 2,4 milhões de brasileiros são diagnosticados com TEA, equivalente a aproximadamente 1,2% da população nacional. Entre crianças de até 9 anos, a prevalência chega a mais de 5% na faixa etária dos 5 aos 9 anos, com maior incidência em meninos do que em meninas.
Organizações que atuam na defesa dos direitos das pessoas autistas reforçam que esses números demandam respostas estruturadas do poder público e da sociedade. A Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas (Abraça), que reúne familiares, pessoas autistas e profissionais de diversas áreas, defende a promoção de direitos humanos com base na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, além de campanhas de conscientização e inclusão social.
A Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (Autistas Brasil) também aponta que políticas públicas eficazes não podem ser formuladas sem a escuta ativa das pessoas autistas e de suas famílias. A entidade desenvolve ações de advocacy político e jurídico, produção de materiais educativos e formação de lideranças para ampliar o acesso inclusivo à educação, saúde e trabalho.
Além de organizações nacionais, iniciativas regionais e comunitárias formam parte de uma rede de apoio ainda insuficiente, como mostra o Instituto Autismo Brasil, que destaca projetos voltados ao “Apoio Legal e Mental às Mães Atípicas”, voltados a prover suporte especializado para familiares que convivem com desafios diários no cuidado de filhos com TEA.
Especialistas em saúde mental alertam que a sobrecarga constante de cuidados, sem descanso ou suporte adequado, pode desencadear sérias consequências para a saúde física e emocional dos cuidadores, incluindo ansiedade, depressão e exaustão extrema. A ausência de apoio institucional, filas de espera longas por terapias e atendimento especializado, e a falta de acesso sistemático a serviços integrados agravam a situação enfrentada por muitas mães solo. Além disso, famílias relatam que a busca por direitos básicos na saúde e educação frequentemente esbarra em barreiras administrativas e de cobertura de planos de saúde.
O caso recente ressoa como um alerta para que o poder público e a sociedade reforcem políticas públicas que garantam não apenas acesso ao diagnóstico e terapias, mas também acolhimento emocional contínuo, apoio social e proteção às famílias que dedicam suas vidas ao cuidado de crianças com deficiência.
