A Zona da Mata Mineira vive uma situação crítica após uma sequência de chuvas intensas e temporais históricos que atingiram a região entre a noite de segunda-feira (23) e a madrugada de terça-feira (24). Os impactos incluem enchentes, deslizamentos de terra, alagamentos e interrupção de serviços essenciais, deixando um rastro de destruição em cidades como Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa.
Números da tragédia
De acordo com dados atualizados pelas autoridades de defesa civil e Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, pelo menos 58 pessoas morreram em decorrência dos temporais na região até esta quinta-feira (26). A maioria das vítimas — cerca de 53 mortes — foi registrada em Juiz de Fora, enquanto Ubá registrou seis óbitos. Há ainda números significativos de desaparecidos, estimados em cerca de 15 a 19 pessoas, e milhares de desabrigados e desalojados em toda a região.
Moradores relataram cenas de caos com ruas transformadas em rios, casas soterradas pela lama e bairros inteiros isolados pelas enchentes. Em vários pontos, equipes de resgate ainda trabalham para localizar sobreviventes entre os escombros.
A prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública, mobilizando equipes de emergência e habilitando recursos extras para enfrentar a crise. Autoridades estaduais e federais também estão atuando na região com ações de suporte, incluindo a presença de equipes do Sistema Único de Saúde (SUS), Defesa Civil e Força Nacional, além de envio de medicamentos, insumos e reforço no atendimento à população afetada.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta vermelho de perigo de chuvas intensas na Zona da Mata e regiões vizinhas até pelo menos a próxima sexta-feira (27), com previsão de volumes pluviométricos extremamente elevados e risco contínuo de novos deslizamentos e enchentes.
Diante das consequências das enchentes, autoridades de saúde emitiram alerta epidemiológico para ampliar as medidas de prevenção contra doenças relacionadas à água contaminada, como leptospirose e arboviroses. A atuação conjunta entre governos estadual e federal busca evitar surtos em meio às dificuldades de acesso e clima persistente.
Infraestrutura e logística comprometidas
Além dos danos humanos, a infraestrutura também foi severamente afetada. A rodovia BR-040, importante ligação na região, sofreu deslizamentos de terra e interdições parciais, atrapalhando o transporte e dificultando o acesso de equipes de apoio e suprimentos emergenciais.
Impacto social e perspectivas
O desastre deixou comunidades inteiras desabrigadas, com famílias se abrigando em espaços públicos ou dependendo de ajuda de familiares e conhecidos. Especialistas meteorológicos afirmam que eventos como esse tendem a se tornar mais frequentes em decorrência das mudanças climáticas, agravando a vulnerabilidade de áreas urbanas e rurais já expostas a riscos ambientais.
Enquanto as operações de resgate continuam, autoridades pedem atenção redobrada da população, orientando moradores de áreas de risco a evacuarem imediatamente ao menor sinal de instabilidade. O foco permanece na salvação de vidas, assistência humanitária e reconstrução das áreas mais afetadas.
