Nosso site utiliza cookies para melhorar e personalizar sua experiência e para exibir anúncios (se houver). Nosso site também pode incluir cookies de terceiros, como Google Adsense, Google Analytics e YouTube. Ao utilizar o site, você concorda com o uso de cookies. Atualizamos nossa Política de Privacidade. Clique no botão para consultar nossa Política de Privacidade.

Carlos Bolsonaro expõe a blindagem da Globo e cobra investigação dura contra o maior grupo de mídia do país

Filho do ex-presidente acusa a emissora de agir contra a democracia, escancara o silêncio institucional, desafia a seletividade do sistema de Justiça e reacende o embate histórico entre o bolsonarismo e a Globo e o poder intocável da família Marinho.

O novo ataque de Carlos Bolsonaro à TV Globo não é apenas mais um embate retórico nas redes sociais. Trata-se de uma acusação direta ao coração do sistema de poder midiático brasileiro, que há décadas opera sob uma blindagem institucional raramente questionada de forma tão explícita. Ao cobrar uma “investigação severa” contra o grupo da família Marinho, Carlos levanta uma pergunta incômoda — e até hoje sem resposta: por que alguns são permanentemente vigiados e punidos, enquanto outros parecem inalcançáveis?

A retórica utilizada pelo filho do ex-presidente é dura porque o cenário é duro. Em um país onde operações policiais, inquéritos, buscas e prisões se tornaram rotina contra políticos, empresários e cidadãos comuns sob o discurso de “defesa da democracia”, a ausência completa de qualquer iniciativa semelhante contra o maior conglomerado de mídia do Brasil chama atenção. O questionamento de Carlos não é isolado — é compartilhado, ainda que em silêncio, por amplos setores da sociedade.

Ao afirmar que a Globo atua contra a Constituição e a democracia, Carlos Bolsonaro não apresenta provas judiciais, mas aponta para algo igualmente relevante no debate público: o poder de influência sem contraponto, a capacidade de moldar narrativas, destruir reputações e interferir no jogo político sem jamais ser submetida ao mesmo nível de escrutínio imposto a outros atores.

A pergunta feita por Carlos — “quando a Globo sofrerá buscas, apreensões, inquéritos e prisões?” — expõe o que muitos evitam dizer: o discurso institucional de defesa da democracia parece seletivo, aplicado conforme a posição política do alvo. A democracia, nesse modelo, não é um princípio universal, mas um instrumento retórico.

Ao resgatar a anistia concedida à ex-presidente Dilma Rousseff, Carlos aprofunda a crítica à memória seletiva do Estado brasileiro. Enquanto uns são eternamente punidos, outros são reabilitados, indenizados e elevados à condição de símbolos históricos, independentemente de seus próprios atos no passado. O contraste não é jurídico — é político.

A reação de internautas, que lembraram a renovação da concessão da Globo durante o governo Jair Bolsonaro, apenas reforça a complexidade do problema. A crítica à emissora não nasceu ontem, nem é monopólio de um grupo político específico. O que muda agora é o nível de exposição do conflito e a disposição de questionar publicamente um poder que sempre operou acima do debate direto.

O silêncio da Globo diante das acusações é previsível — e revelador. Em um país onde a imprensa cobra transparência de todos, mas raramente aceita ser questionada com o mesmo rigor, o episódio evidencia uma assimetria perigosa para qualquer democracia que se pretenda madura.

O ataque de Carlos Bolsonaro pode incomodar, provocar e dividir opiniões. Mas ignorar a pergunta central que ele levanta é insistir em um modelo onde há cidadãos, políticos e instituições acima de qualquer suspeita, protegidos não pela lei, mas pelo próprio poder que exercem.

E quando o jornalismo se torna intocável, a democracia deixa de ser fiscalizada — passa a ser tutelada.

By Nelson Costa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You May Also Like