A escalada do conflito no Oriente Médio após os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desencadeou um racha diplomático dentro do grupo econômico e político dos BRICS — que reúne atualmente Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e outros países associados, incluindo várias nações árabes e o próprio Irã.
O conflito se intensificou no fim de fevereiro de 2026 com ataques aéreos que mataram o líder supremo iraniano e altos comandantes militares, marcando uma nova fase de hostilidades que também envolve ações de retaliação iranianas contra bases americanas e posições israelenses.
Condenações fortes de Brasil, China e Rússia
A China condenou com veemência os ataques dos Estados Unidos e de Israel, qualificando-os como “inaceitáveis” e violações do direito internacional, e pediu um cessar-fogo imediato e retorno às negociações políticas para evitar uma escalada regional.
A Rússia também repudiou os ataques como “agressão não provocada” contra um Estado soberano, responsabilizando Washington e Tel Aviv pela deterioração da estabilidade regional e alertando para riscos humanitários e econômicos.
Além disso, tanto Moscou quanto Pequim reforçaram a importância de respeitar a soberania do Irã, pressionando por negociações e diplomacia como caminhos para conter o conflito.
O Brasil, embora tradicionalmente mais neutro, também pediu o fim imediato das hostilidades, ressaltando a necessidade de respeito ao direito internacional e destacando os impactos globais de mais um grande conflito — desde os preços do petróleo até riscos à economia mundial.
Posições divergentes dentro do bloco
Enquanto China, Rússia e Brasil se alinham em condenar os ataques e enfatizar soluções diplomáticas, a Índia e vários membros árabes associados ao BRICS adotam posturas mais cautelosas ou neutras, sem repudiar claramente os EUA ou Israel — uma diferença que expõe tensões internas significativas dentro do grupo.
A Índia, por exemplo, tem relações diplomáticas estreitas tanto com Washington quanto com Teerã e Tel Aviv, além de ser tradicionalmente reticente em condenar publicamente ações militares dos Estados Unidos — o que contrasta com a retórica mais crítica adotada por Brasília, Moscou e Pequim.
Países árabes com representação ampliada no BRICS (como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita ou Catar), embora afetados diretamente pela instabilidade regional, têm buscado equilíbrio entre condenar a violência e manter relações estratégicas com potências ocidentais, o que também reduz sua disposição em seguir completamente as posições de Rússia e China.
Impacto no bloco e no contexto global
O episódio evidencia que o BRICS — já ampliado em 2024 para incluir novos membros do Oriente Médio e África — não é um bloco monolítico em termos de política externa e enfrenta desafios crescentes para harmonizar suas posições frente a crises geopolíticas de grande impacto.
Analistas dizem que o conflito no Irã pode acelerar fraturas dentro do grupo, com diferentes países ponderando interesses comerciais, alianças estratégicas e relações com potências ocidentais de maneira distinta — o que dificulta uma posição comum e unificada.
Essa divergência ocorre em um momento em que o BRICS busca maior relevância global, tanto no plano econômico quanto na reforma de instituições multilaterais, como a Organização das Nações Unidas e seus conselhos de segurança e comércio.
