A Guarda Municipal de Volta Redonda prendeu, nesta sexta-feira (20), dois homens por crimes relacionados à violência contra a mulher no município de Volta Redonda. Dois casos diferentes, em horários distintos, mas com a mesma raiz: a violência que insiste em se repetir.
Pela manhã, no bairro Retiro, um homem de 59 anos foi preso em flagrante após denúncia de agressão dentro de casa. Mais uma vez, o lar — que deveria proteger — se torna cenário de medo. Ele foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), onde permaneceu detido.
Horas depois, no bairro Aterrado, outro caso expõe um problema ainda mais grave: o desrespeito à própria Justiça. Um homem de 47 anos foi preso por descumprir medida protetiva e perseguir a vítima. Ou seja, mesmo após a intervenção legal, o risco continuava ali — real, iminente, ignorado pelo agressor.
Ele foi levado à 93ª Delegacia de Polícia e posteriormente também à DEAM, onde ficou à disposição da Justiça.
Os números ajudam a entender que esses casos estão longe de serem exceção. No estado do Rio de Janeiro, o feminicídio segue em alta, com mais de 100 mulheres assassinadas em 2024, muitas delas vítimas de parceiros ou ex-companheiros.
No Sul Fluminense, a realidade acompanha esse cenário preocupante: denúncias crescem, medidas protetivas são ignoradas e a violência insiste em atravessar portas, muros e decisões judiciais.
A pergunta que fica não é sobre a ação policial — que cumpriu seu papel.
A pergunta é: por que ainda estamos chegando tarde?
Quantas denúncias vieram antes?
Quantos sinais foram ignorados?
Quantas mulheres ainda precisam viver com medo, mesmo amparadas por lei?
A Lei Maria da Penha existe.
As medidas protetivas existem.
Mas, para muitas mulheres, a sensação de segurança ainda não.
As prisões desta sexta-feira não devem ser comemoradas.
Devem ser encaradas como o que realmente são: mais um retrato de uma violência que se tornou cotidiana — e perigosa demais para ser normalizada.
Porque quando a violência vira rotina, o próximo passo pode ser irreversível.
📊 NO SUL FLUMINENSE (dado mais recente disponível)
“Só em 2025, o Sul Fluminense já registrou cerca de 10 feminicídios e mais de 20 tentativas — números que mostram que a violência contra a mulher não é exceção, é uma realidade crescente na região.”
📊 ESTADO DO RIO DE JANEIRO (base comparativa)
“Já em todo estado do Rio de Janeiro em 2023, cerca de 99 feminicidios, em 2024 mais de 100 casos (dados oficiais e tendência de alta), registrados em sua maioria dentro de relacionamento.”
