Nosso site utiliza cookies para melhorar e personalizar sua experiência e para exibir anúncios (se houver). Nosso site também pode incluir cookies de terceiros, como Google Adsense, Google Analytics e YouTube. Ao utilizar o site, você concorda com o uso de cookies. Atualizamos nossa Política de Privacidade. Clique no botão para consultar nossa Política de Privacidade.

Quando o púlpito vira balcão de negócios

A CPI do INSS expõe a ruptura moral no meio evangélico e revela como parte da liderança religiosa trocou fé por poder político.

O embate público entre a senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia escancarou aquilo que muitos fiéis já suspeitam, mas poucos líderes têm coragem de admitir: parte do sistema evangélico brasileiro foi capturada pela lógica do poder político, da conveniência partidária e do silêncio negociado.

Ao divulgar a lista de igrejas e pastores citados em requerimentos da CPI do INSS, Damares não apenas respondeu a um desafio público. Ela rompeu um pacto informal de proteção mútua, no qual nomes influentes permanecem intocáveis enquanto a fé é usada como cortina para interesses nada espirituais.

Lista divulgada pela senadora:

Transferência de sigilo

  • Adoração Church;
  • Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
  • Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch);
  • André Machado Valadão;
  • Igreja Evangélica Campo de Anatote.

Convite

  • Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso;
  • Péricles Albino Gonçalves, líder religioso;
  • Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso;
  • André Fernandes, líder religioso.

Convocação

  • André Machado Valadão.

O escândalo não está apenas nos indícios de fraude envolvendo aposentados — gente pobre, vulnerável, muitas vezes fiel às mesmas igrejas agora sob suspeita. O escândalo maior está na reação corporativista, na tentativa de desqualificar a denúncia antes mesmo da investigação, como se o título de “pastor” garantisse imunidade moral e institucional.

Quando líderes religiosos passam a negociar cargos, influência e silêncio político, a fé deixa de ser fé e vira instrumento. O púlpito se transforma em palanque. O rebanho, em curral eleitoral. E o voto, em moeda de troca — o mais perverso dos “votos de cabresto”, agora ungido com linguagem bíblica.

O episódio revela uma ruptura profunda no protestantismo brasileiro. Não se trata de atacar a igreja, mas de denunciar quem a usa. Pastores que se dizem guardiões da moral pública, mas operam nos bastidores do poder, vendem a alma ao sistema enquanto pregam santidade aos fiéis.

A tentativa de reduzir o debate a uma disputa pessoal entre Damares e Malafaia é uma manobra conhecida: desviar o foco para evitar a pergunta central — por que tantos líderes e suas igrejas se tornaram atores políticos profissionais? Quem ganha com isso? E por que sempre pedem silêncio “para não escandalizar os fiéis”?

O verdadeiro escândalo não é investigar. O escândalo é não investigar.

Se igrejas e líderes nada devem, não há o que temer. Mas quando a primeira reação é o ataque, a intimidação e o grito, algo está fora do lugar. A fé não precisa de blindagem política. Precisa de verdade.

O Brasil assiste, estarrecido, a um processo em que a religião, que deveria ser abrigo moral, passa a ser ferramenta de poder. E quando isso acontece, quem perde não é apenas a igreja — perde a democracia, perde a ética e perde o próprio Evangelho.

🧭 EDITORIAL – PORTAL DA RÁDIO MARAPICU FM

Este editorial não é contra a fé.
É contra quem a transformou em instrumento político.

A CPI do INSS revelou algo grave e inaceitável: a promiscuidade entre parte de lideranças evangélicas e o sistema político-partidário. A reação indignada de alguns líderes não é defesa da igreja — é defesa de poder.

A Rádio Marapicu FM entende que nenhuma instituição está acima da lei, muito menos aquelas que falam em nome de Deus. A fé não pode ser usada como escudo para impedir investigações, intimidar parlamentares ou silenciar denúncias ou denunciantes.

Quem teme a verdade não pode se esconder atrás do púlpito!

📜 MANIFESTO

Chega de usar Deus como desculpa.
Chega de vender fé em troca de poder.
Chega de tratar fiéis como massa de manobra.

Pastores não foram chamados para negociar cargos.
Igrejas não foram criadas para operar esquemas.
E o Evangelho não é projeto eleitoral.

A fé que se ajoelha ao poder deixa de ser fé;
Deixa de ser mudança de comportamento;
Deixa de ser caminho para salvação.

By Nelson Ferreira

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You May Also Like