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Trump vira as costas para Bolsonaro e expõe o fim de uma ilusão política

Ex-embaixador dos EUA escancara o óbvio: quando o poder some e a Justiça avança, o “aliado internacional” desaparece sem cerimônia

A fantasia de que Jair Bolsonaro ainda ocuparia algum espaço relevante no radar de Donald Trump começa a ruir de forma constrangedora. Em entrevista à BBC News Brasil, o ex-embaixador norte-americano John Feeley apenas verbalizou aquilo que a realidade já vinha gritando: Bolsonaro deixou de servir, deixou de importar — e foi descartado.

Segundo Feeley, Trump não tem paciência para líderes derrotados, enfraquecidos ou juridicamente comprometidos. Não por princípios democráticos, mas por puro cálculo de poder. Para o presidente dos Estados Unidos, política não é afinidade ideológica, é utilidade. E Bolsonaro, hoje, não entrega nenhuma das duas.

A avaliação desmonta, peça por peça, o discurso alimentado por aliados do ex-presidente brasileiro de que haveria algum tipo de proteção internacional ou interesse estratégico dos Estados Unidos em sua sobrevivência política. Não há. Nunca houve. O que existiu foi conveniência momentânea — agora encerrada.

Feeley também joga luz sobre outro ponto incômodo: Trump mal conhece a política brasileira e não dedica tempo algum a pensar no país. A ideia de que decisões da Casa Branca estariam sendo tomadas com base no destino de Jair Bolsonaro soa, no mínimo, como delírio de bolha. Quando Bolsonaro perdeu relevância interna e passou a enfrentar consequências judiciais, Trump simplesmente seguiu em frente — como sempre fez.

Nem mesmo o lobby insistente de Eduardo Bolsonaro, citado pelo ex-embaixador como tentativa de sensibilização, foi capaz de produzir efeitos duradouros. Afinal, Trump não opera por gratidão, nem por laços ideológicos duradouros. Opera por interesse imediato. E interesses mudam.

No campo econômico, Feeley desmonta mais um mito: o recuo de Trump em relação a sanções e tarifas contra o Brasil não foi gesto diplomático, nem vitória política brasileira. Foi apenas mais um episódio do comportamento errático de um presidente acostumado a avançar e recuar sem admitir erros — uma marca registrada de sua trajetória.

Ao fim, sobra o constrangimento. Bolsonaro, que apostou todas as fichas em alinhamentos externos e retórica internacional, descobre tardiamente que, na política global, líderes enfraquecidos não inspiram lealdade. São ignorados.

O episódio serve de alerta: no jogo do poder internacional, ideologia não garante abrigo, discurso não compra apoio e derrotas não geram solidariedade. Quando o capital político acaba, o telefone para de tocar — e os antigos “aliados” seguem seu caminho sem olhar para trás.

John Feeley atuou como embaixador dos EUA no Panamá e hoje atua como diretor executivo do Centro para a Integridade da Mídia das Américas (CMIA), um organismo da Organização dos Estados Americanos (OEA).

By Luciana Vieira

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