O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra Cuba e, mais uma vez, tratou a diplomacia internacional como um jogo de ameaças públicas e chantagem política. Em mensagens publicadas na rede Truth Social, Trump afirmou que Cuba deve “fazer um acordo” com Washington “antes que seja tarde demais”, ao mesmo tempo em que anunciou o fim do petróleo e do apoio financeiro vindos da Venezuela.
Não se trata de um alerta diplomático nem de uma preocupação humanitária. O que Trump faz é repetir uma prática histórica dos Estados Unidos: usar o poder econômico como instrumento de coerção para submeter governos que não se alinham aos seus interesses. A diferença é que agora isso é feito de forma explícita, sem verniz diplomático e com linguagem de intimidação.
Ao afirmar que Cuba deixará de receber petróleo e recursos da Venezuela, Trump tenta vender a imagem de que os Estados Unidos controlam o destino energético e político do Caribe. O discurso ignora deliberadamente décadas de sanções econômicas impostas à ilha, reconhecidas inclusive por organismos internacionais como um dos principais fatores do estrangulamento econômico cubano. Mais do que um aviso diplomático, trata-se de chantagem explícita.

Bravata política e distorção dos fatos
O discurso de Trump também distorce a realidade ao acusar Cuba de sobreviver às custas da Venezuela em troca de “serviços de segurança”. A narrativa simplista serve apenas para justificar sanções e alimentar a retórica do inimigo externo. Parcerias energéticas e cooperação entre países soberanos são tratadas como crime quando não passam pelo crivo dos Estados Unidos.
A tentativa de vincular mudanças recentes na Venezuela a uma suposta submissão cubana é mais uma peça de propaganda política do que um retrato fiel dos fatos. O objetivo é claro: pressionar Havana, isolar politicamente o país e enviar um recado a qualquer governo que ouse desafiar a hegemonia americana na América Latina.
Resposta de Cuba expõe o centro do conflito
A reação do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, foi dura e direta. Ao afirmar que Cuba é uma nação soberana e que não aceitará ordens de Washington, o líder cubano tocou no ponto central da questão: o conflito não é econômico, mas político e ideológico. Díaz-Canel lembrou que Cuba não ameaça outros países, mas é alvo de agressões constantes há mais de seis décadas. Ao responsabilizar a revolução cubana pelas dificuldades da ilha, os Estados Unidos ignoram deliberadamente o impacto devastador do embargo, que afeta desde o abastecimento de energia até o acesso a medicamentos e alimentos.
Quando o presidente cubano afirma que o país está disposto a defender sua soberania a qualquer custo, não se trata de retórica vazia, mas de uma resposta a um histórico concreto de tentativas de intervenção, sabotagem econômica e isolamento internacional.

Pressão não é ajuda, embargo não é solidariedade
Trump insiste em vender suas ameaças como preocupação com o povo cubano, mas a história demonstra o contrário. Embargos, sanções e isolamento nunca tiveram como objetivo melhorar a vida da população — servem apenas como instrumentos de pressão política. A tentativa de apresentar os Estados Unidos como salvadores enquanto impõem medidas que agravam a escassez de alimentos, energia e medicamentos é, no mínimo, cínica.
Ao ressuscitar uma linguagem típica da Guerra Fria, Trump mostra que ainda enxerga a América Latina como quintal estratégico, onde governos devem obedecer ou sofrer consequências. Cuba, por sua vez, deixa claro que continuará resistindo, mesmo diante de enormes dificuldades econômicas, porque para Havana a soberania não é moeda de troca.
No fim, o embate expõe duas visões opostas: de um lado, a política da intimidação e do embargo; de outro, a insistência de um país pequeno em não abrir mão do direito de decidir seu próprio destino. Gostem ou não de seu modelo político, esse é um princípio básico do direito internacional — e Cuba cobra que ele seja respeitado.
